Você fecha um projeto, compra os materiais, paga a mão de obra, entrega no prazo — e no final do mês, sobra pouco ou nada. A conta não fecha. O trabalho foi feito, mas o dinheiro sumiu.

Se isso acontece com você, existe uma causa muito provável: os custos fixos da sua marcenaria não estão sendo incluídos no preço dos projetos. Você está pagando aluguel, energia, internet, contador e a sua própria retirada — mas esses custos não aparecem em nenhum orçamento.

Isso é mais comum do que parece. Uma pesquisa com pequenas marcenarias no Brasil mostra que mais de 60% dos proprietários não incluem o pró-labore (a própria retirada) como custo do negócio. O resultado é uma ilusão de lucro que desaparece quando você olha para o seu saldo bancário.

Custo Fixo vs Custo Variável: Entendendo a Diferença

Antes de calcular, é preciso entender o que é custo fixo — porque a confusão entre fixo e variável é origem de muitos erros de precificação.

Custo variável é o que muda conforme o volume de projetos: materiais (MDF, ferragens, fitas), mão de obra direta do projeto, transporte específico de entrega, terceirizados para aquele projeto. Se você não fizer o projeto, não paga esse custo.

Custo fixo é o que você paga todo mês, independentemente de quantos projetos fez — ou se não fez nenhum. Você paga o aluguel da oficina mesmo no mês em que não fechou contrato nenhum. Você paga o contador em todo mês, com ou sem movimento.

Nos custos variáveis, a maioria dos marceneiros é razoavelmente precisa. O erro sistemático está nos custos fixos — que muitas vezes são esquecidos completamente na hora de formar o preço.

Levantamento Completo dos Custos Fixos da Marcenaria

Vamos listar todos os custos fixos que uma marcenaria típica tem — com faixas de valores reais para você se situar:

Item de Custo Fixo Faixa Mensal
Aluguel da oficina R$ 2.000 – 5.000
Energia elétrica R$ 400 – 800
Água R$ 80 – 150
Internet + telefone R$ 150 – 300
Contador / contabilidade R$ 250 – 500
Seguro (oficina, equipamentos) R$ 150 – 400
Manutenção de máquinas (média mensal) R$ 200 – 500
Software e ferramentas (ERP, design) R$ 100 – 400
Marketing (anúncios, Instagram) R$ 200 – 600
Pró-labore do dono (!!) R$ 3.000 – 8.000
TOTAL estimado R$ 6.530 – 16.650

Veja o tamanho do número. Uma marcenaria de médio porte tem facilmente R$8.000 a R$12.000 de custos fixos mensais. Se esse valor não está sendo coberto pelos projetos, você está consumindo capital ou acumulando dívida — sem perceber.

A Armadilha do Pró-Labore: O Erro Mais Comum

O erro número 1 de precificação na marcenaria
Incluir o pró-labore como custo não é ser ganancioso. É reconhecer que seu tempo tem valor — e que a empresa precisa pagar por ele.

O maior erro que marceneiros cometem na hora de calcular custos fixos é não colocar o próprio salário na lista. A lógica (equivocada) é: "Sou dono, o lucro é meu — não preciso me pagar." O problema é que quando o lucro não aparece, o dono trabalhou de graça.

Pense assim: se você saísse da sua marcenaria e fosse trabalhar para outra pessoa com as mesmas habilidades, quanto você ganharia por mês? Isso é o mínimo que a sua marcenaria deveria pagar para ter você trabalhando nela. Esse valor precisa entrar no custo fixo — e precisa aparecer no preço dos seus projetos.

Se um marceneiro experiente ganharia R$5.000/mês no mercado, mas o dono da marcenaria não coloca esse valor como custo, ele está essencialmente subsidiando a própria empresa. O preço parece competitivo — mas só porque esconde o subsídio.

Como Calcular o Custo Fixo por Projeto

Com o total de custos fixos mensais levantado, o próximo passo é distribuí-los entre os projetos do mês. O cálculo é simples:

Fórmula de Diluição de Custo Fixo
Custo Fixo por Projeto = Custo Fixo Mensal ÷ Número de Projetos no Mês

Exemplo prático: sua marcenaria tem R$8.500/mês em custos fixos e você executa em média 4 projetos por mês. O custo fixo por projeto é:

Exemplo de cálculo

Custo Fixo Mensal: R$ 8.500
Número de projetos: 4
Custo Fixo por Projeto: R$ 8.500 ÷ 4 = R$ 2.125

Isso significa que todo orçamento que você fizer precisa incluir pelo menos R$ 2.125 de custo fixo — antes de qualquer lucro, apenas para cobrir a estrutura do negócio.

Agora some esse valor ao custo variável do projeto (materiais + mão de obra direta) e aplique sua margem de lucro desejada em cima. Esse é o preço mínimo sustentável.

O Que Acontece nos Meses com Menos Projetos

Aqui está o ponto mais importante — e mais doloroso — sobre custos fixos: quando você faz menos projetos em um mês, o custo fixo por projeto sobe automaticamente.

Se no mês passado você fez 4 projetos (R$2.125 por projeto) e este mês fez apenas 2, o custo fixo por projeto dobra para R$4.250. Mas se você não sabe disso, vai usar o mesmo markup de sempre — e vai trabalhar no prejuízo sem perceber.

A variação por volume de projetos

Custo Fixo Mensal: R$ 8.500
Com 6 projetos: R$ 1.417/projeto
Com 4 projetos: R$ 2.125/projeto
Com 2 projetos: R$ 4.250/projeto
Com 1 projeto: R$ 8.500/projeto

É por isso que meses de baixo volume são tão dolorosos financeiramente — o custo por projeto explode, mas o preço cobrado é o mesmo.

Isso explica a sensação que muitos marceneiros têm de trabalhar muito em alguns meses e ver pouco dinheiro sobrar. O volume caiu, o custo fixo por projeto subiu, mas o preço não acompanhou.

Como Calcular o Ponto de Equilíbrio (Break-even)

O ponto de equilíbrio é o faturamento mínimo mensal que sua marcenaria precisa ter para cobrir todos os custos — sem lucro, mas também sem prejuízo. Calcular isso é fundamental para saber o quanto você precisa vender todo mês para, ao menos, não perder dinheiro.

Ponto de Equilíbrio Mensal
Break-even = Custos Fixos ÷ (1 − Percentual de Custos Variáveis sobre o Faturamento)

Simplificando para um exemplo prático: se seus custos fixos são R$8.500 e seus custos variáveis (materiais + mão de obra) representam 55% do preço de venda, o break-even é:

R$8.500 ÷ (1 − 0,55) = R$8.500 ÷ 0,45 = R$18.889/mês de faturamento mínimo.

Abaixo desse valor, você está no prejuízo. Acima, começa o lucro real.

Estratégias para Reduzir Custos Fixos

Conhecer os custos fixos também abre espaço para reduzi-los conscientemente — sem sacrificar a qualidade do negócio.

Prioridade na redução de custos
Antes de cortar qualquer custo, verifique se ele afeta diretamente a qualidade do produto ou a capacidade de atender clientes. Cortar o contador pode gerar problemas fiscais que custam muito mais. Cortar manutenção de máquinas pode resultar em uma quebra no pior momento possível.

Como o Calctto Automatiza o Controle de Custos Fixos

No Calctto, você cadastra seus custos fixos mensais uma única vez no módulo financeiro. A partir daí, o sistema aloca automaticamente a parcela de custo fixo em cada orçamento novo, com base no volume de projetos do mês.

Isso significa que você nunca mais esquece de incluir os custos fixos num orçamento. O sistema faz o cálculo e inclui o valor correto automaticamente — ajustando conforme o número de projetos no mês muda.

O DRE (Demonstrativo de Resultado) integrado mostra exatamente quanto você está pagando de custos fixos, quanto está gerando de receita e qual é o lucro real do negócio — não o lucro que você imagina, mas o que de fato sobra depois de pagar tudo, inclusive você mesmo.

Essa visibilidade financeira é o que transforma um marceneiro que "acha que está indo bem" num empresário que sabe exatamente como está indo — e pode tomar decisões concretas para melhorar.

Descubra quanto você realmente lucra em cada projeto

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