Serra circular, tupia, coladeira — o barulho da oficina de marcenaria faz parte do dia a dia há tanto tempo que quase ninguém repara mais nele. O problema é justamente esse: diferente de um corte ou uma queda, o ruído não avisa. Ele vai corroendo a audição em silêncio, ano após ano, sem dor e sem sintoma visível — até o dia em que o marceneiro percebe que não escuta mais direito, e nesse ponto não tem mais volta.
Neste post você entende quanto barulho já é perigoso, como se proteger de verdade (e por que fone de música não conta), o que fazer pra reduzir o ruído na fonte, e o que a NR-15 exige da empresa em termos de PCA e audiometria.
O barulho que você já nem escuta
Depois de anos na oficina, muita gente diz "já acostumei com o barulho". Isso não é costume — é o começo da perda auditiva. O ouvido não se acostuma, ele se danifica. E o pior: a surdez induzida por ruído é indolor, gradual e irreversível. Quando você percebe, já perdeu.
Quanto barulho é demais
O limite seguro pra 8 horas de trabalho é 85 decibéis. Uma serra circular passa fácil de 100 dB, uma tupia e uma coladeira também. Acima de 85 dB por jornada, a proteção auditiva deixa de ser opção e vira necessidade. Regra prática: se você precisa gritar pra ser ouvido a um metro de distância, o ruído está alto demais.
Como se proteger
- Protetor auricular de inserção (plug): prático, bom pra uso contínuo. Precisa ser inserido corretamente pra vedar.
- Protetor tipo concha (abafador): fácil de colocar e tirar, bom pra quem entra e sai da área de ruído.
- Use durante toda a exposição — tirar "só um pouco" já compromete a proteção.
- Mantenha limpo e em bom estado; plug ressecado ou concha com espuma gasta não veda.
Reduzir o ruído na fonte
- Manutenção em dia: máquina desregulada e disco cego fazem mais barulho.
- Isolar a máquina mais barulhenta ou enclausurar quando possível.
- Organizar a jornada pra ninguém ficar 8 horas seguidas na área de maior ruído.
O que NÃO fazer
- Trabalhar perto de serra/tupia sem protetor "porque é rápido".
- Usar fone de música no lugar de protetor (não protege e ainda distrai).
- Ignorar zumbido no ouvido ou dificuldade de ouvir — são sinais de alerta.
Deixe um protetor auricular pendurado em cada máquina barulhenta, não só no armário de EPI — quanto menor a distância entre a mão e o protetor, menor a chance de alguém "só ligar rapidinho" sem colocar. E troque o plug ou a concha assim que perder a maciez: protetor ressecado não veda, só parece que protege.
O que a lei diz (NR-15 e PCA)
A NR-15 define o ruído como agente insalubre e fixa os limites de tolerância. Acima do limite, a empresa deve implantar o PCA (Programa de Conservação Auditiva), fornecer protetor adequado (NR-6) e fazer audiometria periódica no exame ocupacional pra acompanhar a saúde do ouvido de cada um.
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