Para fazer um plano de corte de MDF, você precisa de quatro informações: a lista de peças com as medidas finais, a medida real da chapa, a espessura da serra e as regras de cada peça (espessura, cor, veio e fita de borda). Com isso, distribui as peças nas chapas das maiores para as menores, faz os cortes longitudinais primeiro e identifica cada peça com uma etiqueta.

Uma chapa a mais, uma porta cortada 2 mm maior ou um retalho bom jogado fora saem direto do lucro. Abaixo estão as medidas que entram na conta, um passo a passo com um armário de exemplo e os erros mais comuns.

O que é um plano de corte e por que ele economiza

O plano de corte é o desenho de cada chapa com as peças posicionadas e a sequência de cortes. Ele responde três perguntas antes de você ligar a máquina:

Quem corta "de olho" costuma abrir chapa nova antes da hora. E, sabendo quantas chapas vai usar, o custo de material do orçamento deixa de ser chute. Para a conta de área e quantidade de chapas, veja também como calcular MDF para móveis.

As medidas que entram no plano de corte

Medida da chapa

Um tamanho comum de chapa de MDF é 2750 × 1850 mm, mas há variações por fabricante e linha. Não trabalhe com a medida "de cabeça": confira a etiqueta da chapa que você compra. Chapas de espessuras diferentes (6, 15, 18, 25 mm) podem ter medidas diferentes entre si.

Refilo das bordas

A borda de fábrica pode chegar lascada, amassada no transporte ou fora de esquadro. Por isso muitas marcenarias fazem o refilo: um corte de limpeza nas bordas antes das peças. No exemplo deste artigo vou considerar 10 mm por lado, o que deixa a área útil da chapa em 2730 × 1830 mm. Ajuste para a realidade da sua máquina e do seu fornecedor.

Espessura da serra (perda de corte)

Cada passada da serra transforma material em pó. Em média, a perda fica entre 3 e 4 mm por corte, dependendo da lâmina e da máquina. Em uma faixa com três peças são três cortes, ou seja, até 12 mm a menos. Se o plano não considera isso, a última peça da faixa sai curta.

Fita de borda

A fita soma espessura à peça. Se a porta pronta precisa ter 397 mm e recebe fita de 1 mm nos dois lados, ela deve ser cortada com 395 mm. Com fitas finas, de cerca de 0,45 mm, muitas marcenarias não descontam. O erro não é escolher um ou outro: é não ter padrão.

Medida de corte = Medida final − (espessura da fita × lados com fita)
Aplique separado no comprimento e na largura

Sentido do veio e padrão

Em MDF liso (branco, preto, cinza) quase sempre dá para girar a peça na chapa. Em padrão amadeirado, não. Laterais, portas e frentes de gaveta normalmente seguem o veio na vertical, e peças lado a lado precisam "casar" o desenho. Marque no plano quais peças podem girar e quais não podem, porque isso muda o aproveitamento.

Exemplo: lista de peças de um armário 800 × 2000 × 550 mm

Exemplo ilustrativo

O armário abaixo é um exemplo didático, não um projeto padrão. As medidas mudam conforme o seu sistema construtivo (base entre laterais ou sob as laterais, fundo encaixado ou sobreposto, tipo de dobradiça, folgas).

Armário de 800 mm de largura, 2000 mm de altura e 550 mm de profundidade, com duas portas, base e tampo entre as laterais, três prateleiras e fundo sobreposto. Caixa e portas em MDF branco 18 mm; fundo em MDF branco 6 mm. A base e o tampo têm 764 mm porque 800 − 2 × 18 = 764.

PeçaQtdMedida final (mm)Medida de corte (mm)MaterialFita
Lateral22000 × 5502000 × 550MDF branco 18 mmFrente, 0,45 mm
Base e tampo2764 × 550764 × 550MDF branco 18 mmFrente, 0,45 mm
Prateleira3762 × 510762 × 510MDF branco 18 mmFrente, 0,45 mm
Porta21994 × 3971992 × 395MDF branco 18 mm4 lados, 1 mm
Fundo11990 × 7901990 × 790MDF branco 6 mmSem fita

Repare em dois detalhes. Só as portas tiveram desconto de fita, porque a fita de 1 mm pesa na medida e a de 0,45 mm não (no padrão adotado neste exemplo). E a prateleira tem 762 mm contra 764 mm da base: 2 mm de diferença que, sem etiqueta, viram troca de peça na montagem.

Passo a passo: como fazer o plano de corte

1. Feche a lista de peças com as medidas finais

Liste cada peça com quantidade, comprimento, largura, espessura, material e lados com fita. Use a medida da peça pronta. Se a medida do vão ainda não foi conferida na obra, pare aqui: plano em cima de medida errada só acelera o prejuízo.

2. Desconte a fita de borda das medidas de corte

Aplique a fórmula nos lados com fita grossa. No exemplo, a porta de 1994 × 397 mm com fita de 1 mm nos quatro lados vira 1992 × 395 mm de corte.

3. Agrupe as peças por espessura e cor

Cada combinação de espessura e padrão é um plano separado, porque sai de chapas diferentes. No exemplo são dois grupos: 9 peças em branco 18 mm e 1 peça em branco 6 mm. Se as portas fossem amadeiradas, seriam três grupos.

4. Defina o sentido do veio de cada peça

No exemplo, todas as peças ficam com a maior medida no comprimento da chapa. Assim, se o cliente trocar para amadeirado, o veio vertical de laterais e portas continua respeitado.

5. Configure a chapa, o refilo e a espessura da serra

Chapa de 2750 × 1850 mm, refilo de 10 mm por lado (útil de 2730 × 1830 mm) e 4 mm por corte. Esses três números precisam ser os da sua oficina, não os do exemplo.

6. Distribua as peças das maiores para as menores

Comece pelas peças grandes e faça primeiro os cortes longitudinais, no comprimento da chapa, formando faixas. Depois corte cada faixa na transversal. É o chamado corte em guilhotina, que funciona bem em esquadrejadeira e seccionadora. Para o grupo de 18 mm do exemplo, uma distribuição possível é:

Distribuição ilustrativa — MDF branco 18 mm
  • Chapa 1, faixa de 550 mm: lateral 2000 mm. Sobra 726 × 550 mm.
  • Chapa 1, faixa de 550 mm: lateral 2000 mm. Sobra 726 × 550 mm.
  • Chapa 1, faixa de 550 mm: base 764 + tampo 764 mm. Sobra 1194 × 550 mm.
  • Chapa 1, resto: tira de 168 mm (serve para testeira ou reforço).
  • Chapa 2, faixa de 395 mm: porta 1992 mm. Sobra 734 × 395 mm.
  • Chapa 2, faixa de 395 mm: porta 1992 mm. Sobra 734 × 395 mm.
  • Chapa 2, faixa de 510 mm: 3 prateleiras de 762 mm. Sobra 432 × 510 mm.
  • Chapa 2, resto: retalho de 2730 × 518 mm.

7. Marque as sobras reaproveitáveis

Defina uma medida mínima para guardar retalho e registre cada sobra com medida, cor e espessura. Sobra não anotada não existe na hora do próximo serviço.

8. Gere as etiquetas de peça

Cada peça recebe uma etiqueta colada logo depois do corte, antes de ir para a coladeira de borda. É o que impede a prateleira de 762 mm de virar base.

9. Confira antes de ligar a serra

Some as peças do plano e compare com a lista (no exemplo, 10 peças). Confira se nenhuma peça ficou sem espessura ou cor definida. Dois minutos aqui valem mais que uma chapa.

Aproveitamento e sobras reaproveitáveis

No exemplo, as peças de 18 mm somam cerca de 5,8 m² e as duas chapas têm pouco mais de 10 m² de área bruta. Olhando só esse número, o aproveitamento parece ruim. Mas mais de 3,5 m² viraram retalhos com tamanho útil, como o de 2730 × 518 mm.

A lição é prática: um módulo sozinho quase nunca aproveita bem a chapa. O aproveitamento melhora quando você junta no mesmo plano vários módulos, ou vários projetos da mesma cor e espessura, e quando o plano já considera os retalhos que estão no estoque. Por isso vale manter as sobras cadastradas junto com o controle de estoque da marcenaria.

Etiquetas de peça: o que colocar

A etiqueta é o que liga o plano de corte à montagem. Uma boa etiqueta tem:

Com etiqueta, o montador separa as peças por módulo sem medir de novo.

Erros comuns no plano de corte

  1. Esquecer a espessura da serra. A última peça da faixa sai curta.
  2. Não descontar a fita grossa. A porta fica maior que o vão e raspa na vizinha.
  3. Misturar o veio. Duas portas lado a lado com o desenho em direções diferentes.
  4. Pular o refilo. Borda lascada acaba dentro da peça.
  5. Cortar sem conferir a medida da obra. O plano está certo, o vão é que mudou.
  6. Jogar sobra fora. O retalho de hoje é a prateleira do mês que vem.
  7. Cortar sem etiqueta. Peças com medidas quase iguais trocam de lugar.

Quando vale usar um software de plano de corte

Para um armário simples, papel e régua resolvem. Numa cozinha inteira, com três padrões de MDF, duas espessuras e retalhos antigos, testar combinações na mão leva horas.

No Calctto, a Central de Cortes monta o plano de corte otimizado das chapas a partir das peças do projeto e gera as etiquetas de peça para imprimir. Se você desenha no Promob, o importador do XML do Promob traz peças, chapas, fitas e ferragens sem redigitar nada, e é compatível com o Corte Certo. Promob e Corte Certo são marcas de seus respectivos donos, citadas aqui só como referência.

Tudo roda no navegador e vira app no celular, sem nada para instalar. Veja os recursos do Calctto e os planos e preços. E se a dúvida é quanto cobrar pelo móvel depois de saber o material, leia quanto custa móvel planejado e como calcular o preço.

Plano de corte e etiquetas em poucos cliques

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Perguntas frequentes

Qual é o tamanho da chapa de MDF?

Um tamanho comum de chapa de MDF no Brasil é 2750 × 1850 mm, mas existem variações conforme o fabricante e a linha. Antes de montar o plano de corte, confira a medida real da chapa que você compra e desconte o refilo das bordas.

Quanto se perde na espessura da serra?

Em média, cada passada da serra consome de 3 a 4 mm de material, dependendo da lâmina e da máquina. Parece pouco, mas em uma chapa com dez cortes são até 4 cm que precisam estar previstos no plano.

Preciso descontar a fita de borda na medida de corte?

Com fita grossa, sim: desconte a espessura da fita em cada lado que a recebe. Com fitas finas, de cerca de 0,45 mm, muitas marcenarias não descontam. O importante é adotar um padrão e aplicar em todas as peças.

Quanto de desperdício devo considerar no MDF?

Não existe um número fixo, porque o aproveitamento depende do tamanho e da variedade das peças. Para uma estimativa rápida de orçamento, muita gente soma uma folga percentual, mas o plano de corte é o que mostra o número real de chapas e as sobras aproveitáveis.

Dá para fazer plano de corte sem software?

Dá, com papel, régua e paciência, e para um módulo simples funciona. Quando o projeto tem dezenas de peças, várias cores e sobras de outros serviços, um software de otimização encontra combinações melhores em segundos e já gera as etiquetas.