Contrato de marcenaria é o documento que formaliza a venda e a fabricação de móveis planejados: define quem são as partes, o que será entregue, com quais materiais, por quanto, em quanto tempo e o que acontece quando algo sai do combinado. Um bom contrato de móveis planejados detalha também o que não está incluso, as condições de medição e montagem, a garantia, as regras para alteração de projeto e as consequências de atraso ou cancelamento.

Importante

Este artigo é um guia prático escrito por um marceneiro, não um parecer jurídico. Use as cláusulas e o modelo como base e peça para um advogado revisar o seu contrato antes de usar com clientes.

Na oficina, a gente aprende isso do jeito difícil. O cliente jura que o puxador estava incluso. A obra atrasa três semanas e ele cobra o prazo. A cozinha fica pronta e o pagamento final não vem porque "falta um rodapé" que nunca foi vendido. Em quase todos esses casos, o problema não era o móvel: era o papel.

Por que o orçamento aprovado não basta

O orçamento de marcenaria responde "o que" e "quanto". O contrato responde "e se". E se o cliente mudar a cor depois do corte? E se a parede não estiver pronta? E se ele desistir com o MDF já comprado? O orçamento raramente trata disso, e é exatamente aí que mora o prejuízo.

O caminho mais seguro é o contrato repetir o escopo do orçamento aprovado, com o orçamento anexado, e acrescentar as regras de execução.

As cláusulas que não podem faltar

1. Partes

Nome ou razão social, CPF ou CNPJ, endereço e contato da marcenaria e do cliente. Inclua o endereço da obra, que muitas vezes é diferente do endereço de cadastro. Se o imóvel é de outra pessoa, anote quem é o responsável por liberar o acesso.

2. Objeto e escopo detalhado

Descreva cada ambiente e cada móvel: "cozinha com armários superiores e inferiores conforme projeto anexo, torre quente e painel para geladeira". Depois, faça a lista do que não está incluso. Essa segunda lista vale mais que a primeira.

3. Materiais e especificação

Tipo e espessura do MDF, padrão e cor do revestimento, fita de borda, linha de ferragens, tipo de dobradiça e corrediça, puxadores e acessórios. Diga também o que acontece se um padrão sair de linha: por exemplo, a troca por um equivalente aprovado pelo cliente por escrito.

4. Valor e forma de pagamento

Valor total, entrada, parcelas com data ou marco (assinatura, entrega do material, fim da montagem), meio de pagamento e dados para depósito ou Pix. Deixe escrito que a produção começa após a entrada compensada. Para chegar a um valor que dê lucro, veja como precificar móveis planejados.

5. Prazo e o que suspende o prazo

Defina se o prazo é em dias úteis ou corridos e a partir de quando conta: da assinatura, da entrada paga ou da aprovação do projeto executivo após a medição final. Depois, liste o que suspende o prazo: atraso de pagamento, obra não liberada, alteração de projeto pedida pelo cliente, falta de material no fornecedor e eventos fora do controle das partes.

6. Medição final

O projeto vendido costuma usar medidas de planta ou de uma primeira visita. A produção só deve começar depois da medição final no ambiente pronto, com piso, reboco e pontos elétricos no lugar. Escreva que diferenças encontradas nessa medição podem ajustar o projeto e, se mudarem a quantidade de material, o valor.

7. Entrega e montagem

Diga quais condições o ambiente precisa ter no dia: acesso liberado, energia elétrica, espaço para descarregar, elevador ou escada viável e obra de outros profissionais concluída. Defina quem assina o termo de entrega e como são registradas as pendências de montagem.

8. Garantia

O Código de Defesa do Consumidor, no artigo 26, dá ao consumidor 90 dias para reclamar de vícios em produtos duráveis, e móveis planejados são bens duráveis. Esse é o mínimo legal. Se a sua marcenaria oferece mais, escreva o prazo contratual, o que cobre (defeito de fabricação e de montagem) e o que não cobre, como mau uso, umidade, excesso de peso ou intervenção de terceiros.

9. Alterações de projeto

Toda mudança depois da aprovação deve ser pedida por escrito e virar aditivo com novo valor e novo prazo. Deixe claro que peças já cortadas ou materiais já comprados para a versão anterior podem ser cobrados.

10. Atraso do cliente

Atraso de pagamento suspende a produção e pode gerar encargos combinados. Se os móveis ficarem prontos e a obra não estiver liberada, defina por quanto tempo a marcenaria guarda sem custo, a partir de quando pode cobrar armazenagem e como é feito o novo agendamento da montagem.

11. Cancelamento e multa

Diferencie o cancelamento antes da compra de material e do corte daquele feito depois. Em móvel sob medida, peça cortada não serve para outro cliente. Em relação de consumo, multas e retenções têm limites legais e o CDC traz regras próprias para vendas fechadas fora do estabelecimento, como pela internet ou na casa do cliente. Por isso, os percentuais dessa cláusula devem ser definidos com o advogado.

12. Foro

Indique a comarca para resolver disputas. Em contratos com consumidor, a escolha de foro tem restrições, então essa é outra cláusula para confirmar na revisão jurídica.

Modelo de contrato de móveis planejados (esqueleto)

Use esta estrutura como roteiro para montar o seu documento. Ela não substitui a redação revisada por advogado.

  1. Identificação das partes: contratada (marcenaria) e contratante (cliente), com documentos e endereços.
  2. Objeto: fabricação e montagem dos móveis descritos no projeto e no orçamento anexos.
  3. Escopo: ambientes e móveis inclusos; lista expressa do que não está incluso.
  4. Especificação dos materiais: chapas, revestimentos, fitas, ferragens e acessórios; regra para item fora de linha.
  5. Preço e pagamento: valor total, entrada, parcelas, marcos e meio de pagamento.
  6. Prazo: início da contagem, duração e hipóteses de suspensão.
  7. Medição final e projeto executivo: condições do ambiente e ajuste do projeto.
  8. Entrega e montagem: condições de acesso, termo de entrega e registro de pendências.
  9. Garantia: garantia legal, garantia contratual, cobertura e exclusões.
  10. Alterações: pedido por escrito, aditivo, novo valor e novo prazo.
  11. Obrigações do contratante: pagamentos, liberação da obra e informações sobre pontos elétricos e hidráulicos.
  12. Atraso do contratante: suspensão da produção, armazenagem e reagendamento.
  13. Cancelamento: hipóteses, fases e valores definidos com orientação jurídica.
  14. Disposições gerais: comunicação oficial entre as partes e aceite da assinatura eletrônica.
  15. Foro, data e assinaturas.
  16. Anexos: orçamento aprovado, projeto com medidas e memorial de materiais.
Dica de oficina

Anexe o projeto com as imagens e as medidas, e peça para o cliente rubricar ou aceitar a versão final. Quando surgir o "eu achei que era diferente", a resposta está no anexo, não na memória de ninguém.

Assinatura digital: o contrato vale?

Hoje boa parte dos contratos de marcenaria é fechada pelo celular. A legislação brasileira reconhece a assinatura eletrônica: a MP 2.200-2/2001 admite outros meios de comprovar autoria e integridade de documentos eletrônicos quando as partes os aceitam como válidos, e a Lei 14.063/2020 classifica os tipos de assinatura eletrônica. Na prática, a assinatura eletrônica pode ter validade jurídica quando as partes aceitam o meio usado.

O que dá força ao documento é a prova. Um bom sistema de assinatura registra:

Inclua no contrato uma cláusula em que as partes aceitam a assinatura eletrônica. Para contratos de valor alto ou situações específicas, pergunte ao advogado se vale usar um nível de assinatura mais forte.

Erros comuns em contrato de marcenaria

Esses cuidados começam no atendimento. Veja como atender o cliente da marcenaria.

Como o Calctto ajuda no contrato

No Calctto, o contrato nasce do orçamento aprovado, então escopo e valor não precisam ser redigitados. As cláusulas são editáveis, para você colocar as regras revisadas pelo seu advogado, e o cliente assina pelo celular. A assinatura digital registra IP, data e hash. Veja em contrato com assinatura digital.

Antes disso, o orçamento mostra o lucro e trava o preço no fechamento. Depois, o projeto segue para o Kanban de produção e as parcelas entram no financeiro. Os dados ficam em servidores no Brasil, com backup diário; detalhes em segurança. Todo plano tem o sistema completo; compare em preços.

Contrato pronto a partir do orçamento aprovado

Cláusulas editáveis, assinatura digital pelo celular com registro de IP, data e hash, e o projeto direto para a produção.

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Perguntas frequentes

Contrato de móveis planejados assinado pelo celular tem validade?

Em regra, sim. A legislação brasileira, como a MP 2.200-2/2001 e a Lei 14.063/2020, reconhece a assinatura eletrônica, e documentos assinados por meios que as partes aceitam como válidos podem ter validade jurídica. Para servir de prova, o registro deve mostrar quem assinou, quando e que o documento não foi alterado depois, como IP, data e hash. Confirme com um advogado o nível de assinatura adequado ao seu caso.

Qual a garantia mínima de móveis planejados?

O Código de Defesa do Consumidor, no artigo 26, prevê 90 dias para reclamar de vícios em produtos duráveis, e móveis planejados entram nessa categoria. Esse é o prazo legal. A marcenaria pode oferecer uma garantia contratual maior, que se soma à legal, desde que diga por escrito o que cobre, por quanto tempo e o que fica de fora.

O que colocar no contrato quando o cliente atrasa a obra?

Escreva que o prazo de entrega fica suspenso enquanto o ambiente não estiver liberado para medição final ou montagem, e defina o que acontece com os móveis prontos nesse período, como armazenagem, novo agendamento e eventual custo. Deixe claro também que atraso de pagamento suspende a produção.

Posso usar um modelo de contrato de marcenaria da internet?

Pode usar como ponto de partida, nunca como versão final. Um modelo genérico não conhece a sua forma de pagamento, o seu prazo, a sua garantia nem a forma como você vende. Adapte as cláusulas à sua operação e peça para um advogado revisar antes de usar com clientes.

O orçamento aprovado substitui o contrato?

Não é o ideal. O orçamento mostra o que será feito e por quanto, mas normalmente não trata de atraso do cliente, alterações de projeto, cancelamento, multa, garantia e foro. O contrato deve repetir o escopo do orçamento aprovado e acrescentar essas regras, de preferência com o orçamento como anexo.